Maturidade digital no Brasil: o que o 42º lugar do mundo revela

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O Brasil pontua 61,42 de 100 no Índice DASHCiTY-6D e ocupa a 42ª posição entre 100 países. Mas o dado decisivo não é a colocação no ranking global — é a assimetria que se esconde atrás dela.

Na economia da inteligência artificial, modelos e dados deixaram de ser diferencial: viraram commodity. O que separa os territórios que prosperam dos que ficam para trás passou a ser outra coisa — a consciência territorial, a capacidade de saber, com dados, em que ponto da maturidade digital cada lugar está e para onde pode ir. É essa leitura que o Índice DASHCiTY-6D oferece ao posicionar o Brasil no mapa mundial: 42º entre 100 países avaliados, com 61,42 pontos de 100, na condição de país em desenvolvimento e com potencial projetado de alcançar o TOP 10 até 2041. A pergunta que importa, porém, não é “por que o 42º lugar?”. É “o que esse número esconde?”.

O Brasil no mapa mundial

O Índice DASHCiTY-6D mede a maturidade digital numa escala de 0 a 100, a partir de seis dimensões, 24 subdimensões e 96 indicadores, todos com peso igual. A cobertura é ampla — 100 países, as 27 unidades da federação (26 estados e o Distrito Federal) e as 100 maiores cidades brasileiras —, o que permite comparar o país consigo mesmo e com o mundo na mesma régua.

Com 61,42 pontos, o Brasil fica na metade superior do ranking global, à frente da maioria dos países avaliados, mas distante do pelotão de líderes. Tomado isoladamente, esse número diz pouco. A história está nas dimensões que o compõem.

Por que o 42º lugar? A assimetria entre as dimensões

Quando se abre o score nacional, o Brasil aparece como um país desigual por dentro. Estas são as seis dimensões, da mais forte à mais frágil, com a referência do líder global em cada uma:

  • Inclusão Digital — 70,4 (referência: Finlândia, 84,9)
  • Infraestrutura Tecnológica — 68,5 (Noruega, 88,3)
  • Governança Digital — 65,4 (Noruega, 84,6)
  • Economia Digital — 60,2 (Emirados Árabes Unidos, 82,8)
  • Capital Humano Digital — 58,2 (Finlândia, 84,0)
  • Soberania de Dados — 45,8 (Emirados Árabes Unidos, 75,8)

Entre a dimensão mais forte (Inclusão Digital, 70,4) e a mais frágil (Soberania de Dados, 45,8) há 24,6 pontos de distância. Como o índice atribui peso igual às seis frentes, esse desequilíbrio cobra seu preço: o conjunto é puxado para baixo pelo elo mais fraco. Para efeito de comparação, os países do TOP 10 mantêm os gaps de todas as dimensões abaixo de cerca de 15 pontos em relação à fronteira global. O maior gap do Brasil — Soberania de Dados, a 30 pontos do líder — é o dobro disso.

A conclusão é direta: o 61,42 é menos uma média e mais a medida de uma desigualdade interna. Avançar no ranking depende menos de melhorar o que já vai bem e mais de fechar a distância entre as dimensões.

Um país de cinco velocidades

A mesma assimetria se repete no território. São Paulo lidera o ranking estadual com 89,4, seguido de perto por um grupo de estados do Sul e do Sudeste, mais o Distrito Federal:

  1. São Paulo — 89,4
  2. Distrito Federal — 85,7
  3. Rio de Janeiro — 84,2
  4. Santa Catarina — 82,8
  5. Rio Grande do Sul — 81,3
  6. Paraná — 79,8
  7. Minas Gerais — 78,4
  8. Espírito Santo — 76,9

A elite é concentrada e está colada: do 1º ao 5º colocado, separam apenas 8,1 pontos. O contraste aparece quando se olha o país inteiro. As médias regionais desenham cinco velocidades — Sudeste (82,2), Sul (81,3), Centro-Oeste (72,7), Nordeste (65,8) e Norte (54,7) —, e a amplitude nacional chega a 40,3 pontos, do estado mais maduro (São Paulo, 89,4) ao menos maduro (Amapá, 49,1, na 27ª posição). É um só país operando em ritmos distintos de transformação digital.

As capitais que lideram — e o paradoxo de Florianópolis

Entre as capitais, o topo do ranking acompanha o padrão regional:

  1. São Paulo — 89,4
  2. Rio de Janeiro — 85,7
  3. Florianópolis — 84,2
  4. Belo Horizonte — 82,8
  5. Curitiba — 81,9
  6. Porto Alegre — 81,3
  7. Brasília — 80,6
  8. Recife — 78,4

O dado mais instrutivo, porém, é um paradoxo. Florianópolis é a 3ª capital no ranking geral, mas a 1ª em Capital Humano Digital, com 90,1 — à frente de São Paulo e exatamente na dimensão em que o país é mais frágil (58,2 na média nacional). Onde o Brasil tropeça, uma capital já demonstra o teto possível. O caso mostra que o gap nacional em Capital Humano não é um destino: é uma distância que pode ser fechada com a política certa.

A rota rumo ao TOP 10 começa pela soberania

As projeções do índice para 2031 apontam crescimento em todas as seis dimensões. A aceleração mais acentuada, no entanto, está prevista justamente para a frente mais frágil hoje: a Soberania de Dados, com alta projetada de 20,1% — saindo de 45,8 para 55.

Não é coincidência. Recuperar por onde mais dói é o caminho mais curto para reduzir a assimetria que segura o score nacional. A meta de chegar ao TOP 10 até 2041 não se cumpre polindo o que já é bom; cumpre-se equilibrando o conjunto — e a soberania de dados é o ponto de partida com maior retorno.

Da nota à direção

Maturidade digital não se resume a uma colocação no ranking. Ela é a distância entre as dimensões de um país e entre os territórios que o formam. Medir com método transforma diagnóstico em direção: revela onde está a fratura, quem já mostra o caminho e qual movimento rende mais. Na era em que a inteligência virou commodity, a consciência territorial é a vantagem.


Dados do Índice DASHCiTY-6D, Edição Junho/2026, elaborados a partir de fontes oficiais (IBGE, Anatel, Cetic.br, ITU e ONU). A DASHCiTY mensura, compara e projeta a maturidade digital de países, estados e cidades, transformando dados oficiais em consciência territorial acionável.

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